Atitudes e características da personalidade moderadoras da performance psi

 

 [Página Inicial]

 

Por que determinadas pessoas aparentemente experimentam de forma espontânea uma psi altamente refinada enquanto outras nunca relatam experiências desse tipo ou, quando relatam, falam de experiências psi esporádicas ou elusivas? Por que alguns participantes em testes ESP (extrasensory perception) conseguem marcações bem superiores ao esperado em termos probabilísticos enquanto outros ficam dentro da expectativa do acaso ou então marcam pontuações significativamente abaixo da linha da pura sorte? Objetivando responder essas perguntas e, paralelamente, descobrir a espécie de sujeito conveniente a psi, pesquisadores há muito tempo têm dispensado esforços para investigar a existência de eventuais variáveis moderadoras no desempenho da psi, tais como traços da personalidade possivelmente influentes na performance de fenômenos parapsicológicos.

 

Desconsiderando características psicológicas que possam estar relacionadas ao desempenho da psi, especula-se existirem variáveis de outras naturezas, tais como fisiológicas e demográficas, que eventualmente sejam psi-condutivas ou inibitórias. Por exemplo, há alguns resultados positivos para correlações entre atividades elétricas do cérebro medidas através de EEG com a performance em ESP. No entanto, tais estudos necessitam de mais consistência, repetibilidade, além de serem de difícil interpretação. Por exemplo, Irwin e Watt (em Krippner e Friedman, 2010) mencionam um estudo de Palmer (de 1978) sinalizador de que uma alta quantidade ou densidade de ondas-alfa (8-13Hz) durante testes ESP pode ser um indicador de boa performance (ondas-alfa são usualmente associadas a estados mentais passivos e relaxados). Mencionam ainda um estudo de McDonough, Warren e Don (de 1989) os quais encontraram uma associação entre acertos em ESP e aumento da força nas bandas EEG delta (1-3 Hz) e theta (4-7 Hz), sugerindo um efeito condutivo através da baixa atividade cortical. Porém, num estudo subsequente (de 1994), com uma amostra maior, estes últimos pesquisadores encontraram um efeito diferente, com ‘acertos psi’ associados às mais fortes atividades alfa e beta (14-30 Hz) e ‘erros psi’ relacionados às ondas delta e theta.

 

Quanto a possíveis fatores demográficos condutivos a psi, Irwin e Watt (idem, 2010) mencionam, exemplificadamente, o gênero (mulheres parecem ter um desempenho psi superior aos homens); o estado civil (pessoas separadas e divorciadas escoram melhor do que pessoas casadas, talvez por uma necessidade psicossocial[1]) e a idade (crianças parecem ser mais convenientes a psi do que adolescentes e adultos). Aqui – semelhantemente às variáveis fisiológicas – as pesquisas ainda carecem de maior consistência, repetibilidade e exploração, tendo em vista que os dados ainda são de difícil interpretação e integração, razão pela qual deixarei para outro momento escrever sobre elas.

 

Desse modo e por falta de mais tempo irei me limitar a tratar das três características (psicológicas) mais robustas e consistentes quanto ao que parece influenciar o desempenho da psi, são elas: a atitude de crença em relação a psi; e os traços da personalidade extroversão/introversão e neuroticismo (alto ou baixo) com a performance psi. Veremos que sujeitos crentes em psi, extrovertidos ou com baixos níveis de neuroticismo tendem a marcam mais pontos em testes parapsicológicos do que sujeitos descrentes, introvertidos ou com alto nível de neuroticismo.

 

Uma das mais marcantes variáveis relacionadas a psi foi inicialmente demonstrada pelos psicólogos Gertrude Schmeidler e Gardner Murphy e ficou conhecida como efeito ovelha/cabra. Eles dividiram dois grupos de sujeitos em relação à percepção extrassensorial (ESP). Os sujeitos ‘ovelhas’ seriam aqueles que acreditam em ESP enquanto ‘cabras’ os que a rejeitam. Os resultados para as ‘ovelhas’, embora relevantes, eram esperáveis: pessoas ‘ovelhas’, a princípio, têm uma tendência em pontuar acima da linha do acaso. Os resultados para ‘cabras’, por outro lado, sinalizam pontuações abaixo da linha do acaso. Como Irwin e Watt (2007) colocam, “os resultados para ‘cabras’ são mais fascinantes. Não somente confirmam um efeito de atitude sobre a ocorrência de ESP, mas também nos lembra do adágio que o pior cego é aquele que não quer ver”.   

 

Em 1993, o psicólogo Tony Lawrence[2], University of Edinburgh, conduziu uma meta-análise com 73 estudos publicados que examinaram o efeito ovelha/cabra. A meta-análise cobriu o período de 1943 a 1993. Os experimentos analisados foram do tipo escolha-forçada[3]. Esses estudos foram conduzidos por 37 investigadores diferentes e envolveram mais de 4.500 participantes que completaram mais de 685.000 testes. O tamanho do efeito global foi pequeno (=0.03), mas altamente significativo sobre esses estudos que envolveram um grande número de manipulações procedimentais e potenciais variáveis moderadoras. O resultado combinado (método Stouffer) foi altamente significativo, = 8.17, p = 1.33x10-16. Como Radin (2013) pontua: “o resultado geral mostra que crentes tiveram um desempenho melhor do que os descrentes com probabilidades contra o acaso maiores que 1 trilhão para 1”.

 

Usando sete diferentes medidas de qualidade do estudo, Lawrence descobriu que o tamanho do efeito não co-variou com a qualidade do estudo. O filedrawer estimado revelou que seriam necessários 1.726 estudos não reportados e com resultados nulos (i.e., 23 estudos não reportados para cada um dos 73 estudos da amostra) para reduzir a significância do banco de dados à expectativa do acaso.

 

Esse banco de dados usou uma grande variedade de diferentes escalas ovelha/cabra, desde perguntas simples a questionários mais prolongados. O meio de se determinar a crença também foi diversificado, com a maioria focalizando-se sobre (a) prévias experiências pessoais de psi; (b) auto avaliação sobre a habilidade pessoal de psi; (c) opiniões relacionadas a uma capacidade de exibir psi em situações de prova; (d) e/ou atitudes gerais acerca de tais fenômenos (Delanoy, 1993). Sobre essa diversificação dos mecanismos usados para medir o grau de crença em psi, Irwin e Watt (2007) chamam a atenção para a persistente complexidade:

 

O efeito ovelha-cabra é uma das relações mais bem sucedidas de replicação na pesquisa experimental de ESP (Palmer, 1977), ainda que o tamanho total do efeito seja muito pequeno (0,03) (Lawrence, 1993). Trabalho posteriores, no entanto, indicam que a 'atitude de ESP' é mais complexa do que inicialmente poderíamos pensar. 'Acreditar em ESP?' pode subsumir muitas atitudes e crenças distintas, incluindo 'Eu gostaria que ESP existisse?' 'Eu acho que tenho ESP?' 'Eu acho que exibirei ESP neste experimento em particular?' 'Posso suspender meu ceticismo natural em direção a ESP durante esta experiência?' 'Eu acho que esta experiência ESP irá funcionar (para as pessoas em geral)?' e 'Eu acho que esse experimentador pode estimular minha ESP?' A medição, o escopo e outros correlatos de crença no paranormal atualmente representam uma área de pesquisa muito ativa.

 

Por outro lado, importante frisar-se que na meta-análise de Lawrence não houve nenhuma relação global entre o tamanho do efeito e o tipo de medida usado, o que fez Lawrence concluir que o efeito ovelha/cabra era bastante robusto, independente de como foi medido.

 

Outra característica da personalidade que foi estudada em relação ao desempenho de psi foi a extroversão/introversão. Rao (in Beloff, 1974), resumindo o raciocínio de Eysenck diz:

 

Eysenck (1967) toma posição dentro dessa linha de pensamento e apresenta-se como partidário de uma teoria que supõe existir uma profunda relação intrínseca entre os dois grupos de variáveis. A partir do ponto de vista de que a psi é "uma forma de percepção antiga e primitiva" e que, portanto, condições de alta ativação cortical são desfavoráveis ao seu aparecimento, Eysenck prolonga o raciocínio e deduz a hipótese de que extrovertidos apresentarão melhor desempenho psi do que introvertidos, uma vez que os introvertidos estão, geralmente, em estado alto de ativação cortical. De fato, há evidência de que extrovertidos apresentam melhor desempenho do que introvertidos nos testes psi.

 

De fato, desde a segunda metade do século XX, diversos estudos já apontavam para uma possível correlação entre personalidades extrovertidas/introvertidas e o desempenho em PES. Rao (idem), sinaliza muitos dos estudos iniciais, por exemplo:

 

Num experimento, usando o Bernreuter Personality Inventory, Humphrey (1945) não conseguiu obter uma relação significativa entre extroversão-introversão e ESP. Entretanto, num experimento posterior, mais do que 70% dos seus sujeitos extrovertidos apresentaram escores positivos em testes ESP; os introvertidos, de outro lado, apresentaram escores negativos, na mesma proporção. Uma replicação feita por Casper (1952) confirmou os achados de Humphrey. Astrom (1965), usando o Inventário de Personalidade Maudsley (MPI), constatou que os sujeitos que apresentavam escores altos na escala de extroversão obtiveram uma média de 6,65 sucessos por série, enquanto que os considerados como introvertidos obtiveram uma média de 4,80 sucessos por série. A diferença entre extrovertidos e introvertidos foi altamente significativa (...).

Nicol e Humphrey (1953), usando o inventário Guilford STDCR, o qual fornece informações sobre os fatores que são geralmente considerados como constituindo os diversos aspectos da extroversão e da introversão, nomeadamente, extroversão-introversão social, pensamento extrovertido-introvertido, depressão, depressão ciclóide ou "rhathymia" (ou tipo despreocupado), constataram uma relação entre estes fatores e a ESP. Algumas das correlações eram significativas, enquanto que outras indicavam somente uma relação fraca.

Nash (1966) usou o MMPI em seu trabalho com estudantes do curso colegial. A correlação negativa que obteve entre ESP e introversão social indica que os que são mais introvertidos obtêm escores baixos em ESP; o contrário acontece com os extrovertidos.

Eysenck (1967) reportou um estudo semelhante feito por Black, no qual foi encontrada uma correlação negativa entre os escores MMPI em introversão social e ESP.

A sociabilidade, uma das características mais comuns da extroversão, apareceu como relacionada com a ESP no estudo feito com crianças por Shields (1962)(...).

Van de Castle (1958) estudou a espontaneidade, uma característica dos extrovertidos, usando o Rorschach em seus experimentos com psicosinesia. Os resultados mostraram uma correlação positiva entre alta espontaneidade e psicosinesia(...).

 Autoconfiança, uma característica dos extrovertidos, também apresentou correlação positiva com escores ESP, num estudo feito por Nicol e Humphrey (1953); foi usado, no caso, o inventário Guilford-Martin, para obter os escores em autoconfiança(...).

 

Seguindo essa sequência de estudos, a psicóloga indiana Kanthamani analisou profundamente na década de 70 a correlação entre extrovertidos/introvertidos no desempenho de ESP. Ela aplicou aos sujeitos o questionário de personalidade de Cattell (HSPQ), utilizando uma combinação dos escores ponderados nos fatores ‘ciclotimia’[4], ‘despreocupação’, ‘parmia[5]’ e ‘falta de autoconfiança’ para definir a dimensão extroversão. Tomando-se a média teórica como ponto de corte, os sujeitos foram divididos em dois grupos: extrovertidos e introvertidos (Rao, idem). A Tabela abaixo mostra os resultados no desempenho ESP desses dois grupos:

 

Experimento

Grupos

N.°de sujeitos

Séries

Desvio

Da linha do acaso

Média de sucessos por série

Teste Piloto

Extrovertidos Introvertidos

14

8

112

64

+ 50

- 40

5,45

4,37

Experimento confirmador 1

Extrovertidos Introvertidas

19

31

152

248

+ 20

- 45

5,13

4,82

Experimento confirmador 2

Extrovertidos

Introvertidos

17

19

136

152

+ 64

- 23

5,47

4,85

Experimento confirmador 3

Extrovertidos

Introvertidos

14

24

112

192

-  6

- 104

4,95

4,46

 

 

Em 1992, Honorton, Ferrari e Bem[6] conduziram uma meta-análise com 60 estudos independentes que examinaram esse relacionamento. Antes dessa meta-análise, revisões descritivas destes banco de dados haviam concluído que os sujeitos extrovertidos tinham um desempenho maior que os introvertidos em tarefas psi (Eysenck[7], Palmer[8], Sargent[9]).

 

Os estudos recuperados estavam em 35 publicações, foram desenvolvidos por 17 investigadores independentes e reportados num intervalo de 38 anos (de 1945 a 1983). O banco de dados contempla 2.963 sujeitos. 45 estudos envolveram adivinhações de cartas ESP ou tarefas similares de escolha-forçada. 14 estudos empregaram tarefas ESP de respostas-livres e 1 envolvendo uma tarefa de influência fisiológica remota.

 

A meta-análise é sumarizada na tabela abaixo (pág. 6). Os resultados para os 60 estudos são mostrados na primeira linha. O tamanho do efeito médio (ponderado) = 0.09 (z = 4.63, p = 0.000004, bicaudal). O intervalo de confiança 95% (IC-95%) para o tamanho do efeito variou de 0.05 a 0.12. O tamanho do efeito foi estatisticamente significativo, muito embora não homogêneo (x259 =126.21, p <.05).

As correlações ESP/extroversão para os 45 estudos com metodologia de escolha-forçada (estudos EF) estão presentes na linha 3 da tabela. Esses estudos foram contribuídos por 13 investigadores independentes e incluíram 2.169sujeitos. O tamanho do efeito médio (ponderado) = 0.06 (z = 2.86, p = .0042, com IC-95% variando de 0.02 a 0.11). As correlações com estudos de escolha-forçada foram significativamente não homogêneas (x244 = 92.82, p < 0.05).

 

21 dos estudos EF envolveram testes individuais (linha 4 da tabela).  Esses estudos foram executados por 11 investigadores independentes e incluíram 920 sujeitos. O tamanho do efeito médio (ponderado) = 0.15 (z = 4.54, p = 0.000006, IC-95% variando de 0.09 a 0.22). As correlações foram não homogêneas (x220 = 42.99, p < 0.05). 

 

Os 24 estudos remanescentes de EF envolveram testes em grupos. Esses estudos foram conduzidos por 8 investigadores independentes e incluíram 1.249 sujeitos. Eles produziram um tamanho do efeito médio (ponderado) = -0.00 (z = -0.12, p = 0.904, IC-95% variando de -0.06 a 0.05). Os estudos EF em grupo são homogêneos (x223 = 37.35, p  > 0.05). Assim, os estudos EF que envolveram testes em grupo produziram correlações uniformemente nulas entre a extroversão e o desempenho em ESP.

 

Desse modo, a evidência para a correlação entre extroversão e a performance em ESP nos estudos com metodologia de escolha-forçada é limitada aos estudos EF que envolveram testes individuais. A diferença entre a correlação ESP/extroversão para testes individuais e para testes em grupo é significativa (q (de Cohen) = 0.14, z = 3.47, p = 0.00052, bicaudal).

 

Os resultados para os 14 estudos de respostas livres (estudos RL) são mostrados na linha 6 da tabela. Os estudos RL foram executados por 4 investigadores independentes e incluíram 612 sujeitos. O tamanho do efeito médio (ponderado) = 0.20 (z = 4.82, p = 0.0000015, bicaudal). O IC-95% variou de 0.12 a 0.28. O resultado global para os estudos RL, enquanto altamente significativo, foi significativamente não homogêneo. Essa não homogeneidade é devida a uma variável moderadora relacionada ao design dos testes.

 

Pois bem, uma análise sobre as deficiência mostrou que o efeito significativo no banco de dados para os estudos EF foi inteiramente em razão de 18 estudos nos quais a medida de extroversão tinha sido determinada após o teste de ESP. Desses 18 estudos, 9 deles os sujeitos souberam como tinham se saído na tarefa psi antes de completar o questionário de extroversão. Esse achado levanta a forte possibilidade de que a correlação ESP/extroversão foi devida a fatores psicológicos, no lugar de extrassensórios. Por conseguinte, as revisões anteriores que tinham achado uma relação positiva e significativa entre extroversão e desempenho psi falharam em descobrir a inconsistência no grau a que este efeito estava presente nesses estudos, e essa falha levou a Honorton, Ferrari e Bem a concluírem que a correlação em estudos de escolha-forçada aparentava ser artificial.

 

No subconjunto de 14 estudos com metodologia de respostas livres (estudos RL), vimos que um efeito altamente significativo foi encontrado (tamanho do efeito médio (ponderado) = 0.20, z = 4.82, p = 0.0000015, bicaudal), muito embora não homogêneo. Dividindo esse subconjunto em testes executados individualmente (12) ou executados em grupo (2), foi revelado que os 2 estudos realizados em grupo foram os responsáveis pela não homogeneidade. Os resultados para os 12 estudos que testaram os sujeitos de forma individual mostraram homogeneidade e uma correlação significativa (tamanho do efeito = 0.20, z combinado = 4,46, p = 0.0000083). 11 desses estudos documentaram a ordem de apresentação da prova psi e do questionário de extroversão e, em todos eles, o questionário de extroversão foi aplicado antes do teste em ESP, evitando assim que os sujeitos tomassem conhecimento de seus desempenhos em ESP, o que decerto iria influenciá-los em como preencher o questionário de extroversão. Esses 11 estudos mostram uma correlação extroversão-PES significativa e homogênea (tamanho do efeito = 0.21, z combinado = 4,57, p = 0.000005).

 

Depois de completar a meta-análise de extroversão/PES, Honorton e colegas examinaram o banco de dados autoganzfeld para ver se poderiam confirmar a correlação extroversão-ESP. Para os 221 testes autoganzfeld em que eles tiveram informações sobre a extroversão, obtiveram uma correlação significativa de PES/extroversão (tamanho do efeito = 0.18, t [219 df] = 2.67, p = 0,008). Esse achado é coerente com aquela meta-análise de extroversão em respostas-livres (Delanoy, 1993).

 

 

SUMÁRIO DA META-ANÁLISE DA CORRELAÇÃO ENTRE EXTROVERSÃO E DESEMPENHO EM ESP

 

 

Número de tamanhos do efeito independentes

Número de investigadores independentes

Número total de sujeitos

Tamanho do efeito médio (r)

Intervalo de confiança-95%

z

p

X2(k – 1)

(Global)Todos os estudos

60

17

2963

0.09

0.05 a 0.12

4.63

0.000004

126.21*

Estudos com tamanho do efeito disponível

47

14

1853

0.14

0.10 a 0.19

5.90

< 0.000001

115.91*

Estudos do tipo escolha-forçada

45

13

2169

0.06

0.02 a 0.11

2.86

0.0042

92.82*

Testes individuais

21

11

920

0.15

0.09 a 0.22

4.54

0.000006

42.99*

Testes em grupo

24

8

1249

-0.00

-0.06 a 0.05

-0.12

0.904

37.35

Estudos do tipo respostas livresa

14

4

612

0.20

0.12 a 0.28

4.82

0.0000015

23.40*

Testes individuais

12

3

512

0.20

0.11 a 0.29

4.46

0.0000083

15.85

Testes em grupo

2

1

100

0.19

-0.01 a 0.37

1.83

0.067

7.53*

* significante não homogeneidade em p < 0.05, de acordo com o teste x2

a Um estudo (Haraldsson, 1970) envolvendo influência fisiológica remota não se ajustou nem na categoria de escolha-forçada nem na de resposta livre.

Nota: r é o coeficiente de correlação médio (ponderado) (Hedges & Olkin, 1985). K representa o número de tamanhos do efeito independentes. X2 pertence ao grupo da estatística de homogeneidade.

 

 

Nos experimentos de Daryl J. Bem[10] (2011) do tipo “sentindo o futuro” (i.e., antecipação anômala de eventos futuros e aleatórios) a correlação positiva entre extrovertidos e desempenho ESP foi mais uma vez replicada. A tal respeito, Bem discursa:  

 

No entanto, ao longo dos anos a característica da extroversão frequentemente tem sido relatada como um correlato da psi, com os extrovertidos alcançando maiores escores psi do que os introvertidos. Uma meta-análise de 60 experimentos independentes publicados entre 1945 e 1983, envolvendo vários tipos de tarefas psi, revelou uma pequena, mas confiante correlação entre extroversão e o desempenho psi (r = 0.09, z = 4.63, p = 0.000004; Honorton, Ferrari, & Bem, 1992). A correlação foi novamente observada num conjunto posterior de estudos sobre telepatia realizados no próprio laboratório de Honorton, r = 0.18, t(216) = 2.67, p = 0.004 (Bem & Honorton, 1994).

Os componentes da extroversão subjacentes a esta correlação parecem ser a susceptibilidade ao tédio e uma tendência para procurar estímulos por parte [de pessoas] extrovertidas. Eysenck (1966) entendeu que a correlação positiva entre extroversão e psi é devida ao fato que extrovertidos 'são mais suscetíveis à monotonia... [e] respondem mais favoravelmente a novos estímulos' (p. 59). A busca de sensações é uma das seis facetas da extroversão no inventário da personalidade NEO revisado (Costa & McCrae, 1992), e a escala de busca de sensações de Zuckerman (1974), que contém uma subescala de susceptibilidade ao tédio, está significativamente correlacionada à extroversão em geral (r = .47, p < .01; Farley & Farley, 1967). 

Para avaliar a correlação entre a busca por estímulos e o desempenho psi nos nossos experimentos, eu construí uma escala compreendendo as duas instruções a seguir: 'eu fico facilmente entediado' e 'muitas vezes gosto de assistir a filmes que já vi antes' (escorado em reverso). As respostas foram registradas em escalas de 5 pontos que variaram de 'muito falso' a 'muito verdadeiro' e medida numa única pontuação variando de 1 a 5.

No presente experimento, a correlação entre a busca por estímulos e a performance psi foi de 0.18 (p = 0.035). Essa significativa correlação é refletida no aumento das pontuações psi daqueles que pontuaram acima da média na escala de 5 pontos de busca por estímulos: eles identificaram corretamente a futura posição da imagem em 57,6% das tentativa [nos estudos com alvos] eróticos, t(41) = 4.57, p = .00002, d = 0.71, binomial exata p = 0.00008.

A diferença entre suas taxas de acerto eróticas e não-eróticas é em si mesma significativa, tdiff(41) = 3.23, p = 0.001, d = 0.50, com 71% dos participantes alcançando as mais altas taxas de acerto sobre tentativas [de alvos] eróticos do que tentativas sobre [alvos] não-eróticos (binominal exata p = 0.003). Suas pontuações psi sobre tentativas [de alvos] não-eróticos não ultrapassaram o acaso, 49,9%, t(41) = -0.08, p = 0.53. Finalmente, participantes com baixo nível de busca por estímulos não escoraram significativamente acima do acaso tanto nas tentativas [de alvos] eróticos quanto nas de [alvos] não-eróticos, 49.9%, t(57)= -0.06 e 49.9%, t(57) =-0.13, respectivamente.

 

Uma terceira característica da personalidade bastante investigada em sua possível correlação com a performance em psi é o neuroticismo[11].

 

Pessoas neuróticas exibem altos níveis de ansiedade ou acentuada dependência sobre mecanismos de defesa contra a ansiedade. Considerável evidência sinaliza que sujeitos neuróticos pontuam na média (ou abaixo da média) esperada pelo acaso, enquanto pessoas bem-ajustadas atingem resultados superiores à expectativa do acaso.

 

Conforme Rao[12] relata, desde a década de 40 existem estudos que sugerem a relação neuroticismo-ESP. Por exemplo, ela cita muitos estudos que observaram correlações entre vários medidores indiretos do neuroticismo com a ESP, observe-se:

 

Kahn (1952) constatou que os sujeitos que se colocavam acima da média em ajustamento pessoal apresentavam escores positivos em ESP e os que estavam abaixo da média apresentavam escores negativos. O nível de ajustamento de seus sujeitos foi obtido usando o inventário Heston de ajustamento pessoal.

Os sujeitos classificados como seguros e inseguros mostraram tendência semelhante em dois estudos; um de Smith e Humphrey (1946) e o outro de Stuart et al. (1947). Em ambos os estudos, foi usado o inventários Maslow de segurança-insegurança e constatou-se que os sujeitos seguros obtinham escores em testes ESP mais altos do que sujeitos inseguros.

 Rivers (1950) administrou testes de clarividência e de GESP a um grupo de estudantes do curso secundário juntamente com o teste de análise de saúde mental e constatou que os sujeitos ginasianos, cujos escores indicavam "imaturidade comportamental", "instabilidade emocional" e "sentimentos de inadequação" marcantes, obtiveram escores mais altos em clarividência do que os sujeitos relativamente livres de tais atributos(...).

Usando um teste projetivo, Eilbert e Schmeidler (1950) e Schmeidler (1950a) estudaram a tolerância à frustração, um dos aspectos da dimensão neuroticismo. O teste de frustração com figuras (Picture Frustration Test-PF) classifica os sujeitos, conforme a direção da agressividade originada na situação frustradora, em três categorias: 1.  extrapunitivos; os que tendem a culpar a fonte de frustração. 2.  intropunitivos; os que tendem a culpar a si próprios. 3.  impunitivos; os que tendem a lidar com a situação de maneira impessoal. Os resultados mostraram uma correlação negativa entre os escores em ESP e extrapunitivos e uma correlação positiva entre os escores ESP e os impunitivos.

 Em outro estudo, Schmeidler (1954) constatou uma correlação baixa e não significativa entre classificação no PF[13] e escores em ESP embora se situasse na direção esperada. Entretanto, quando somente os sujeitos moderadamente frustrados foram analisados, a correlação aumentou para um nível significativo, sugerindo a variável aqui envolvida é o ajustamento pessoal. Os extrapunitivos, que dirigem sua agressão para a fonte da frustração, e os intropunitivos, que dirigem sua agressão para si próprios, tendem a apresentar baixo nível de ajustamento em comparação com os impunitivos. A predisposição neurótica, medida pelo teste de mecanismos de defesa (Defense Mechanism Test-DMT), também parece estar relacionada com a ESP. Carpenter (1965) e Johnson e Kanthamani (1967) constataram que sujeitos classificados como possuindo baixo nível de defesas e indicando bom ajustamento tendem a apresentar escores positivos em testes ESP, enquanto que os que mostravam alto nível de defesas e revelando, ajustamento deficiente, tendiam a apresentar escores negativos em testes ESP.

 O estudo da ansiedade, um dos mais importantes componentes do neuroticismo, foi realizado por Rao (1965a) e Freeman e Nielsen (1964), usando o teste Taylor de ansiedade manifesta (Taylor's Manifest Anxiety Scale TMAS) e os escores ESP. Mas o achado de Rao de que sujeitos com baixo nível de ansiedade tinham melhor desempenho em tarefas ESP em comparação com sujeitos com nível alto de ansiedade não coincidiu com o de Freeman e Nielsen, que constataram que os sujeitos mais ansiosos apresentavam os escores mais altos em ESP e os menos ansiosos e os de nível de ansiedade médio apresentavam os escores mais baixos. Uma vez que os testes ESP empregados por estes pesquisadores eram diferentes, foi sugerido que o teste usado por Rao era mais difícil do que o usado por Freeman e Nielsen e que, portanto, os sujeitos com ansiedade baixa mostraram melhor desempenho do que os sujeitos com ansiedade alta.

 Honorton (1965) tentou testar esta hipótese. Utilizou, para tanto, dois tipos de teste ESP, envolvendo tarefas simples e tarefas complexas. Os sujeitos com nível de ansiedade alto mostraram tendência para apresentar escores mais altos do que se poderia esperar por puro acaso nos testes que eles acreditavam ser simples e mais baixos em testes que consideraram como complexos, embora os desvios não tenham sido significativos.

 Outros fatores de personalidade que poderiam ser considerados como tendo relação com a dimensão neuroticismo mostraram uma relação significativa com os escores ESP. Nicol e Humphrey (1953) usaram uma bateria de questionários de personalidade, que incluía o inventário de Guilford, o questionário Guilford-Martin e o 16-PF de Cattell. Os fatores que se correlacionaram positivamente com os escores ESP foram ausência de depressão, disposição despreocupada, ausência de tensão nervosa, estabilidade emocional, confiança calma e baixo nível de irritabilidade.

 

Mas essa relação negativa entre neuroticismo-alto/desempenho ESP ocasionalmente desaparece em testes em grupos, provavelmente porque a interação entre os participantes reduz os níveis de ansiedade. Semelhantemente a Carpenter (1965) e Johnson e Kanthamani (1967), mencionados no destaque retro, Irwin e Watt (idem, 2010) salientam estudos que encontraram uma correlação, ainda que relativamente fraca, entre escores ESP e a intensidade dos mecanismos de defesa contra a ansiedade:

 

Tem havido considerável interesse empírico em determinar os correlatos da personalidade em relação à ESP. Nesse aspecto, as duas principais variáveis são o neuroticismo e a extroversão. Sob a evidência de uma substancial quantidade de estudos, particularmente aqueles que testaram os participantes de forma individual no lugar de [testes] em grupos (revistos por Palmer, 1978), parece que o desempenho ESP correlaciona-se negativamente com o neuroticismo(...)Relacionado ao neuroticismo está a defensividade, e uma quantidade de estudos encontraram uma tendência a participantes altamente defensivos pontuarem relativamente mal em tarefas ESP do tipo escolha-forçada (Haraldsson e Houtkooper, 1992; Haraldsson e Johnson, 1979; Watt, 1994; Watt e Morris, 1995).

 

Em 1977, Martin Johnson e colegas conduziram nos EUA e na Holanda 6 experimentos de DMT-ESP, sendo que 5 desses estudos mostraram correlações independentemente significativas na direção prevista entre as pontuações marcadas no Defense Mechanism Test (DMT) e o desempenho ESP, ou seja, níveis altos de defensividade relacionados a baixas pontuações ESP e vice-versa (z combinado = 3.482, n = 120 e p = 0.00025, unicaudal) (em Watt e Morris, 1995; e Haraldsson; Houtkooper; Schneider e Backstrom, 2002).

 

Haraldsson e Houtkooper (1992) executaram uma meta-análise acerca de uma série planejada com 10 experimentos conduzidos na Islândia (entre 1977 a 1991) para averiguar a correlação entre as pontuações marcadas no Defense Mechanism Test (DMT) e o desempenho ESP. Os procedimentos para cada experimento foram muito semelhantes. Em 8 desses experimentos os investigadores encontraram correlações de DMT-ESP na direção prevista. 2 desses 8 estudos foram independentemente significativos. Para todos os 10 experimentos, o z combinado = 2.611, n = 462 e p = 0.0045, unicaudal[14]. No entanto, convém salientar que num estudo em 2002[15], Haraldsson, Houtkooper, Schneider e Backstrom questionaram a relação DMT-ESP face a sua aparente dependência sobre as pontuações do DMT terem sido realizadas por um único pesquisador (Martin Johnson). Seja como for, no estudo abaixo sumarizado, a relação entre mecanismos de defesa e psi foi mais uma vez confirmada, só que através de outra medida para a defensividade.

 

Em 1995, Caroline A. Watt e Robert L. Morris executaram 2 experimentos nos quais as percepções de defesa e de vigilância[16] foram relacionadas como predito para essas medidas: os participantes defensivos tiveram escores mais elevados em neuroticismo e pontuações mais baixas em testes ESP do que os participantes vigilantes. Participantes defensivos também consistentemente mostraram menos sinais de saúde mental do que os participantes vigilantes na base de um auto relato exploratório e indicador da saúde mental.

 

No primeiro experimento, o desempenho global de ESP foi ao nível do acaso, com uma média de 12 acertos para todos os 48 participantes (z = 0,06, binomial exata p = 0.48, unicaudal): no entanto, alguns padrões emergiram. Participantes perceptualmente defensivos marcaram uma média de 11,2 acertos em ESP (desvio padrão = 2.3), enquanto participantes vigilantes atingiram uma média de 12 acertos (desvio padrão = 2.6); assim, o escore ESP ficou relacionado como previsto para a defesa/vigilância, embora num grau não significativamente estatístico [t(22) - 0.773, p = 0,224, unicaudal: tamanho do efeito, d (de Cohen) = 0.334]. No segundo experimento, o desempenho global em ESP foi novamente ao nível do acaso, com uma média para todos os 75 participantes de 11,9 acertos (z = -0.35; nenhum valor p é aqui fornecido, porque a pontuação foi na direção oposta ao previsto num teste unicaudal); no entanto, análises mais minuciosas revelam, como previsto, alguns padrões internamente consistentes com o desempenho de ESP. Participantes perceptualmente defensivos marcaram uma média de 11 acertos em ESP (desvio padrão = 1.6) enquanto participantes vigilantes atingiram uma média de 12,5 acertos (desvio padrão = 2.4); assim, pontuações em ESP foram, como previstas, significativamente superiores para os participantes vigilantes do que em comparação com aqueles que foram identificados como perceptualmente defensivos [t(41) -2.077, p = 0,02, unicaudal; d (de Cohen) = 0.681].

 

Conclusão

 

A correlação entre características da personalidade e atitudes ou crenças dos sujeitos com a performance psi decerto fortalece a interpretação parapsicológica para o banco de dados acumulados da pesquisa psíquica. Quando identificamos algumas variáveis correlacionadas à psi, gradativamente passamos a entendê-la melhor. Ademais, a preocupação em investigar a existência de eventuais variáveis moderadoras no desempenho da psi permite descobrir correlações estatisticamente significativas entre essas variáveis e a performance dos participantes nos testes parapsicológicos, possibilitando a descoberta de achados relevantes, mesmo que o resultado global para psi não tenha sido estatisticamente relevante em um determinado estudo. Por exemplo, numa amostra de 30 sujeitos submetidos a testes ESP, pode acontecer que o resultado global para todos os participantes não sofra um desvio significativo da linha do acaso. Todavia, separando-se os sujeitos extrovertidos dos introvertidos, talvez surja uma diferença de ‘acertos ESP’ estatisticamente significativa entre esses dois grupos. Assim, a aplicação de questionários para medir características da personalidade, por exemplo, pode ser de substancial importância para revelar fenômenos parapsicológicos que, do contrário, ficariam mascarados no resultado geral.

 

Fazendo um retrospecto das três características (psicológicas) moderadoras do desempenho da psi aqui analisadas (a atitude de crença; a extroversão/introversão e o neuroticismo), podemos elucubrar outras características psi inibitórias/condutivas com base nos medidores indiretos daquelas três características, vejamos: o sujeito conveniente a psi deve ser sociável, espontâneo, autoconfiante e despreocupado. Além disso, fica entediado com uma certa facilidade, possuindo uma tendência para buscar novidades (estando por isso aberto a novas ideias e crenças, inclusive a psi), mas ainda assim ele é emocionalmente estável, equilibrado e sem crises de ansiedade, tendo um comportamento maduro e bem ajustado. Possui baixo nível de irritabilidade e não tem propensão à depressão. Por outro lado, o sujeito inconveniente a psi, em regra, é ansioso e pode ter tendência à depressão. Ademais, tem alguns problemas de sociabilidade, é defensivo e desconfiado. Ele pode ainda ter a tendência de assumir culpas; é inseguro; cheio de regras; aprecia rotinas; possui alguma instabilidade emocional; além de sentimentos de inadequação.

 

Seja como for, mais estudos sobre possíveis variáveis influenciadoras na performance psi devem ser desenvolvidos, sendo altamente indicada a investigação desses moderadores da psi de forma conjunta aos experimentos confirmatórios acerca da existência de ESP e PK (a exemplo de Bem, 2011).



[1] Ver uma teoria psicológica sobre a psi desenvolvida pelo parapsicólogo Rex G. Stanford numa das seções abaixo.

[2] Lawrence, A. R. (1993). Gathering in the sheep and goats... A meta-analysis of forced-choice sheep-goat ESP studies, 1947—1993. In: Proceedings of the 36th Annual Convention of the Parapsychological Association, Parapsychological Association.

[3] A denominação de escolha-forçada justifica-se na medida em que o sujeito está ciente das possíveis opções de escolha, sendo solicitado a escolher uma das opções como resposta (ao contrário da metodologia de respostas-livres, como nos estudos ganzfeld).

[4]A ciclotimia é o diagnostico referente ao grupo de pacientes que apresentam variações do humor caracterizadas por numerosos períodos de hipomania(...)de menos de 4 dias de duração alternados com períodos de leve depressão. Kraepelin foi o primeiro a fazer a descrição desse caso considerando a ciclotimia como uma forma de temperamento ou flutuações do estado psíquico, impressão essa que perdurou até 1980 sendo modificado com o DSM III. </www.psicosite.com.br/tra/hum/ciclotimia.htm>  Acessado em 08/06/2014.

[5]Dentro do modelo de personalidade de Cattell, parmia categoriza pessoas que tendem a ser aventureiras, sociáveis, gregárias, desinibidas e ousadas.

[6] Honorton, C., Ferrari, D. C. e Bem, D. J (1992). Extraversion and ESP performance: A meta-analysis and a new confirmation. In: L. A Henkel and G. R Schmeidler (eds.) Research in Parapsychology 1990, Scarecrow Press.

[7] Eysenck, H. J. (1967). Personality and extra-sensory perception, Journal of the Society for Psychical Research, 44.

[8] Palmer, J. (1977). Attitudes and personality traits in experimental ESP research. In BB. Wolman (Ed.) Handbook of parapsychology. Van Nostrand Reinhold.

[9] Sargent, C. L. (1981). Extraversion and performance in `extra-sensory perception' tasks, J. Personality and Individual Differences 3.

[10] Bem, Daryl J. (2011). Feeling the Future: Experimental Evidence for Anomalous Retroactive Influences on Cognition and Affect. Journal of Personality and Social Psychology, 2011, Vol. 100, No. 3, 407–425.

 

[11] Neuroticismo é a tendência para experimentar emoções negativas, como raiva, ansiedade ou depressão. Por vezes é chamada de instabilidade emocional. Aqueles com um grau elevado de neuroticismo são emocionalmente reativos e vulneráveis ao stress. Eles são mais predispostos a interpretar situações normais como sendo ameaçadores, e pequenas frustrações como dificuldades sem esperança. As suas reações emocionais negativas tendem a persistir por períodos invulgarmente longos, o que significa que eles estão usualmente com má disposição. Esses problemas na regulação emocional podem diminuir a capacidade dessas pessoas para pensar claramente, tomar decisões e lidar de forma apropriada com o stress.

No outro extremo da escala, indivíduos com baixo neuroticismo são mais difíceis de serem perturbados e são menos reativos emocionalmente. Eles tendem a ser calmos, emocionalmente estáveis, e livres de sentimentos negativos persistentes; no entanto, a escassez de sentimentos negativos não significa necessariamente que estes indivíduos experimentem muitos sentimentos positivos <http://pt.wikipedia.org/wiki/Big_Five_(psicologia)#Neuroticismo> Acessado em 10/06/2014.

[12] Op. cit.

[13] Teste dos 16 fatores da personalidade de Cattell.

[14] Effects of perceptual defensiveness, personality and belief on extrasensory perception tasks. Personality and Individual Differences. Volume 13, Issue 10, October 1992, Pages 1085–1096 [fonte].

[15] Perceptual defensiveness and ESP performance: reconstructed DMT ratings and psychological correlates in the first German DMT-ESP experiment. The Journal of Parapsychology. Date: Sept, 2002 Source Volume: 66 Source Issue: 3 [fonte].

[16] Indivíduos são expostos a estímulos (a) neutros e (b) emocionais sob condições projetadas para impedir que tomem consciência a respeito da natureza desses estímulos (ex., exposições a estímulo extremamente curtas, ou exposições a estímulos com intensidade extremamente baixa). Cuidados devem ser tomados para garantir que a apresentação do estímulo seja suficientemente fraca para eliminar a possibilidade de que o espectador possa estar respondendo parcialmente com base em pistas visuais ou auditivas acerca da natureza do estímulo (p. ex. Merikle & Cheesman, 1987). Também deve-se controlar a possibilidade do viés de resposta (por exemplo, um participante poderia hesitar em mencionar em voz alta uma palavra tabu, ou onde um participante tem maior probabilidade em dizer uma palavra porque ela é frequentemente encontrada) (p. ex. Broadbent, 1967). O nível da duração ou da intensidade do estímulo no qual o espectador necessita para se torna ciente do estímulo é medido, sendo esse nível variável (dependendo da natureza do estímulo, ou seja, se ele é emocional ou neutro) (Brown, 1961). Indivíduos que demoram mais tempo para reportar a consciência de um estímulo emocional do que estímulos neutros são conhecidos como 'perceptualmente defensivos', enquanto aqueles que tendem a responder mais rapidamente a estímulos emocionais do que a estímulos neutros são conhecidos como 'perceptualmente vigilantes'. (Watt, Caroline A. e Morris, Robert L. (1995). The Relationships Among Performance on a Prototype Indicator of Perceptual Defence/Vigilance, Personality, and Extrasensory Perception. Person. Individ. Diff: Vol. 19. No. 5, pp. 635-648. 1995).